Ultimate Marvel vs Capcom 3



Uma coisa que passou pela cabeça de muita gente quando Marvel VS Capcom 3 chegou às lojas, foi: “quais personagens será que a Capcom vai lançar para download?”
Digo, o potencial para lançamento de DLC era praticamente infinito, basta olhar o imenso catálogo de personagens que tanto Capcom quanto Marvel possuem. E não é como se a casa do Ryu fosse dispensar a oportunidade de faturar mais alguns dobrões. 
Infelizmente... após um começo promissor (Jill Valentine e Shuma Gorath logo no lançamento? Nada mau!) ficamos a ver navios. Até que em um dia fatídico, a Capcom anunciou Ultimate Marvel VS Capcom 3. 
Não chegou a ser uma surpresa, considerando o quanto a produtora ama reciclar seus próprios títulos, mas sério? Nem um ano depois e já recebemos uma versão requentada do título que esperamos uma década pra receber? 
Ah bem, que vai se fazer? Só nos resta tentar aproveitar o que nos foi dado, correto? Pois então vejamos se vale a pena gastar nosso suado dinheirinho para ver o Hulk e o Haggar trocando tapas mais uma vez. 
AVANTE!!!


A história permanece exatamente a mesma do game anterior: Galactus, sempre determinado a comer planetas, decidiu almoçar o mundo dos heróis Marvel e o dos personagens da Capcom. Isso forçou os heróis e vilões de suas respectivas dimensões a unirem forças e chutarem a bunda uns dos outros, para decidirem quem estaria mais apto a espancar um glutão cósmico.
Bonito.
A única mudança real no enredo são os finais de alguns personagens, que foram alterados para melhor comportarem os novos membros do elenco. Infelizmente, os desfechos que não foram mudados acabaram tornando-se mais curtos, o que foi um passo para trás em minha opinião.
Pode parecer que estou procurando chifre em cavalo (e talvez eu esteja mesmo), mas se é pra lançar uma versão turbinada de um game já existente, a produtora deveria se preocupar apenas em acrescentar novidades e jamais em remover o que já estava de bom tamanho.
Droga, Capcom!


Gráficos e som receberam alguns retoques, mas permanecem praticamente os mesmos. 
O menu principal foi redesenhado, a tela de seleção de personagens idem, enfim, toda a interface do jogo foi redesenhada. Se isso é bom ou não, vai do gosto de cada um. 
No jogo propriamente dito, a única mudança foi das barras de energia, que receberam um novo visual. Não ficaram ruins, mas quem se acostumou com a aparência das mesmas no Marvel VS Capcom 3 original, pode se distrair com elas até se habituar. 
Fora isso, existem alguns cenários novos e os antigos receberam uma nova pintura. Claro as versões originais deles ainda estão disponíveis, então não precisa ficar apreensivo com a mudança caso tenha criado xodó por alguma fase. 
A trilha sonora não sofreu nenhum retoque felizmente e todos os temas musicais antigos voltaram de forma triunfante. Cada personagem novo tem sua própria trilha e a qualidade delas varia entre sensacional (Nova), nostálgico (Phoenix Wright) e “meh” (Nemesis).

Os mesmos atores de antes emprestam suas vozes aos personagens e agora alguns deles regressam com novas falas e provocações. Por exemplo, sempre que se depara com Phoenix Wright, Hulk diz: “Homenzinho não é Fenix! Fênix é uma moça pássaro! Hulk confuso!” Pra quem apreciava os diálogos entre o elenco no título anterior, aqui tem muito mais para encontrar.


A fórmula básica do jogo também não mudou. As batalhas são disputadas por trios de personagens, o jogador tem a sua disposição três botões de ataque com variações de potência (fraco, médio e forte), além de um que arremessa o oponente para o ar, abrindo sua guarda para ataques aéreos. 
Combos bem sucedidos preenchem uma barra de especial, que pode ser usada em ataques devastadores, capazes de virarem rapidamente uma luta. É possível trocar entre os membros de sua equipe a qualquer momento da batalha ou combinar seus poderes em um ataque especial triplo devastador. 
A mudança principal na jogabilidade foram os pequenos ajustes feitos para equilibrar as partidas o máximo possível. Pequenos bugs e escolhas ruins de design que davam uma vantagem enorme a certos lutadores foram consertadas ou removidas, o que traz uma chance de vitória mais igual a todos. 
Claro, os jogadores mais casuais talvez não percebam muitas mudanças, mas os devotados a disputas profissionais (ou os que ficam até altas horas da madrugada jogando Online) perceberão a mais sutil das alterações. 
Fora isso, o maior atrativo são os doze novos personagens, que engordam o número de participantes para 48. Ainda não chega nem perto do absurdo que presenciamos em Marvel VS Capcom 2, mas sem dúvida é um acréscimo notável. 
Não vou discutir a seleção de novos membros, pois gostar deles ou não é uma questão muito pessoal. Tendo em mente que os fãs da série vão se dilacerar a dentadas em discussões sobre quem devia ou não ter entrado neste game, direi apenas que eles possuem um equilíbrio bem legal e trazem boa variação ao jogo. 
Alguns dos recém chegados são fáceis de jogar (Nemesis e Punho de Ferro), outros mais intermediários (Doutor Estranho e Motoqueiro Fantasma) e alguns foram feitos tendo em mente os mais obcecados dentre os jogadores (Vergil e Phoenix Wright). O que importa é que ao menos um deles se adequará ao seu estilo e tornar-se á parte fixa dentre sua equipe. 
Possivelmente. 
Mas o melhor acréscimo encontrado aqui é sem dúvida o modo “Heroes & Heralds”, que não vem direto com o jogo e deve ser adquirido através de um download gratuito. Basta ficar online com Ultimate Marvel VS Capcom 3, que ele será baixado automaticamente. 
Aqui, é preciso escolher entre “heróis” e “arautos”. Os primeiros tem a função de defender a Terra e os segundos devem conquistá-la para Galactus. Não existe nenhuma diferença entre as duas opções, fora estética, uma vez que todos os arautos são revestidos de prata. 
Uma vez selecionado seu lado, é preciso lutar em áreas de um pequeno mapa, até erradicar todos os inimigos nelas presentes. A cada vitória, você receberá um card que lhe confere habilidades extras, como melhor defesa contra ataques especiais, restaurar energia automaticamente ou ter invencibilidade sempre que realiza um “dash” pela tela. Saber quais destes bônus são os mais vantajosos é fundamental, uma vez que os oponentes tornam-se cada vez mais difíceis conforme se avança neste modo. 
Pode não parecer muita coisa, mas Heroes and Heralds  é extremamente divertido e viciante. Não apenas suas habilidades e reflexos são testadas aqui, mas também seu raciocínio estratégico. Quando você tiver terminado com todos os personagens no modo Arcade e já estiver cheio de apanhar online de um guri Mexicano que o chama de “maricón” o tempo todo, sem dúvida passará muitas horas divertidas aqui. 
Algo tão legal... e de graça? É quase como se a Capcom estivesse pedindo desculpas por nos extorquir tanto! 
Seria esta uma boa ação... em um mundo desgastado? 
... 
Nããããããããããão.


No fim das contas, Ultimate Marvel VS Capcom 3 vale a pena? Sinceramente, isso vai de cada comprador.
Caso tenha se apaixonado por Marvel VS Capcom 3 e a idéia de ter doze personagens novos lhe apeteça, então sim, experimente este jogo. Se o título anterior não o agradou de nenhuma forma, então não será este que o fará mudar de opinião. 
E vejamos pelo lado positivo, pelo menos a Capcom teve a decência de nos oferecer uma dose generosa de conteúdo novo. Não é como se eles tivessem unicamente substituído o protagonista e agido como se tivessem lançado um título inédito.


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