Games de super heróis normalmente são um tiro no escuro. Vez ou outra temos bons títulos, mas grande parte das vezes, eles não passam de produtos genéricos que se baseiam na imagem de um personagem e no carinho de seus fãs para vender algumas cópias.
Então, alguns anos atrás, veio Batman: Arkham Asylum, o game
definitivo baseado em um herói de quadrinhos, que fazia absolutamente tudo
certo. Logicamente, toda comunidade gamer ficou boquiaberta e estupefata,
imaginando o que seus produtores fariam a seguir.
Bem, este dia chegou e as expectativas não poderiam ser mais
altas. Depois de todos os trailers, previews, imagens e especulações de
jornalistas incompetentes (oh Deus, que custa pesquisar os nomes dos vilões do
Batman?), Batman: Arkham City finalmente está em nosso alcance.
Valeu a pena a espera? Pois é o que veremos agora!
PARA A BAT-CAVERNA!!!
Quincy Sharp, antigo diretor do Asilo Arkham, conseguiu após uma campanha eleitoral duvidosa, tornar-se o prefeito de Gotham City. Seu primeiro ato no poder foi erguer uma imensa muralha ao redor da periferia da cidade e transferir todos os internos do Arkham, bem como os prisioneiros da penitenciaria Blackgate para esta nova locação e lá mantê-los isolados.
Esta nova área recebeu o nome de Arkham City.
Logicamente, as coisas não correm tão bem quanto parecem.
Auxiliado pelo Dr. Hugo Strange, Quincy utiliza sua nova super prisão como uma
forma de livrar-se de seus inimigos político. E claro, uma cidade inteira
deixada nas mãos de super criminosos, não tem como acabar em um final feliz.
É aí que Batman entra. Após se deixar capturar como Bruce
Wayne, o Cavaleiro das Trevas tem de descobrir quais os planos verdadeiros de
Hugo Strange e relutantemente, precisa ajudar o Coringa, cuja saude tem se
deteriorado desde os acontecimentos do game anterior.
A história foi escrita por Paul Dini, um dos melhores
roteiristas em atividade hoje em dia e um dos responsáveis por Batman: Animated
Series e todas as animações posteriores com o universo DC. Em outras palavras,
ele é alguem que entende muito bem os personagens do game e os escreve como devem
ser.
Diga-se de passagem, personagens são uma coisa que não falta
aqui. Batman: Arkham City não se prende apenas aos vilões clássicos e muitos
outros que não são tão conhecidos do grande público tem sua chance de brilhar
aqui. É o caso de Victor Zsasz, Pistoleiro, Solomon Grundy, Chapeleiro Louco e
mesmo personagens eternamente indecisos como Azrael, dão as caras nas cidade
dilapidada.
Talvez as mais notáveis presenças no entanto, sejam o
Pinguim, notoriamente ausente no game anterior, mas que aqui mostra porque é um
dos maiores inimigos de Batman, e a Mulher Gato, dona de sua própria campanha
dentro do jogo.
Isso é, se você comprou Batman: Arkham City lacrado e
baixou os capítulos da senhorita Kyle.
Este é um game que respeita o universo de seus personagens e
os entrega em sua melhor forma para o público. Um fã do Cavaleiro das Trevas
não poderia pedir mais.
A apresentação do título é espetacular, pra se dizer o mínimo.
Os gráficos novamente foram construidos com a Unreal Engine,
que se vocês bem lembra, as vezes deixar os personagens com a aparência de quem
passou por um ralador de queijo. Aqui, isso ainda acontece em alguns casos, mas
na maior parte dos casos, as texturas foram bastante refinadas.
O elenco também foi criado de forma a parecer novo e
familiar. Você reconhecerá cada um dos heróis e vilões aqui presentes assim que
os avistar, mas uma segunda olhada mostra que os produtores não sentiram a
necessidade de se prenderem aos modelos clássicos dos mesmos.
O game também capricha nos detalhes. A cada nova etapa, o
uniforme de Batman traz mais danos, os vilões possuem uma linguagem corporal
única e a cidade mantém-se perpetuamente em movimento, dada a enorme quantidade
de estimulos visuais aos quais somos submetidos.
Quando planar pelos telhados, preste atenção nos flocos de
neve que acumulam-se sobre a capa de Batman.
A animação é fantástica, com movimentos fluidos e realistas
quase que na totalidade do tempo. Vez ou outra, ao nocautear um vilão, o jogo o
tratará como um bonecão de pano que não se move como um corpo humano faria, mas
fora estes pormenores, não há nada do que reclamar aqui.
O som também não deixa a desejar, com uma trilha sonora
sombria, poderosa e estóica, que combina perfeitamente com o universo em que
Batman vive. Os efeitos sonoros também foram criados com enorme cuidado e
complementam ainda mais a sensação de que Arkham City é um lugar vivo e densamente
populado.
Mas o maior destaque mesmo vai para a dublagem, que pode ser
facilmente considerada uma das melhores já criadas em um videogame.
Kevin Conroy e Mark Hammil retornam como Batman e Coringa,
papéis que fazem há quase duas décadas e que interpretam com a perfeição que
lhes é esperada. O elenco possui outros dubladores do maior quilate, como Grey
Delisle (Mulher Gato), Tara Strong (Arlequina), Corey Burton (Hugo Strange), Maurice
Lamarche (Sr. Frio) e Nolan North, totalmente irreconhecível como O Pinguim.
Se existe um game que merece ser jogado em um monitor
gigantesco com o melhor sistema de som que o dinheiro pode comprar, sem dúvida
é esse.
Antes de prosseguir, eu gostaria de deixar claro que não considero Batman: Arkham City um jogo sandbox. Embora exista um bocado de liberdade, você não pode fazer absolutamente tudo que lhe der na telha. Batman não sai por aí espancando gente inocente, por exemplo.
Assim, classifico este como um título de ação em um cenário
aberto. Algo que já é bom o bastante em minha opinião.
Arkham City tem pelo menos o dobro do tamanho de Arkham
Asylum, mas é muito mais densa e intimidadora. Na primeira vez que jogar, você
pode sentir uma certa desorientação, o que é totalmente normal quando um
cenário tão imenso é aberto a sua frente.
Embora o progresso na história seja linear, você pode
acessar as missões principais quando bem entender. Se avançar pelo enredo sem
perder tempo, você possivelmente terminará Batman: Arkham City em um fim de
semana, mas com a massiva quantidade de Side Quests, acho muito pouco provável
que consiga.
Existe conteúdo extra o suficiente para distraí-lo do jogo
principal. Você pode colecionar os troféus do Charada (400 desta vez), tentar
decifras os inúmeros enigmas espalhados pela cidade, proteger os prisioneiros
políticos dos criminosos verdadeiros da cidade ou prosseguir em uma das missões
opcionais que o coloca contra (ou do mesmo lado) que um dos vilões. É possível
gastar muitas horas jogando e jamais
avançar pela história.
O Detective Mode também voltou e com muito mais opções.
Sempre que se deparar com a cena de um crime, é possível investigar desde
manchas de sangue no chão, até a trajetória de balas. Trabalhar na solução dos
inúmeros delitos que ocorrem na cidade é muito mais satisfatório do que jamais
foi.
O combate foi muito refinado e flui melhor do que no game
anterior. O núcleo do sistema permanece o mesmo, mas agora existem mais opções
e Upgrades a serem comprados, que facilitam ainda mais sua vida, contanto que
tenha a habilidade necessária para utilizá-los durante as lutas.
Um dos melhores acréscimos é sem dúvida uma sequência de
socos rápidos que Batman aplica em inimigos de grande porte, ou naqueles que
estejam tonteados. Além do alto dano que causa (o que encerra as batalhas mais
rápido do que em Batman: Arkham Asylum), este ataque aumenta rapidamente a
contagem de combos, o que lhe permite usar com mais frequência as finalizações
disponíveis para cada personagem.
Os contra ataques também estão mais eficientes, uma vez que
agora é possível defender-se de múltiplos capangas de uma só vez. Isso diminui
muito a frustração causada em certos combates do título anterior, onde estar
cercado de bandidos era praticamente morte certa.
As lutas contra os chefes foram bastante aprimoradas e são
necessárias estratégias totalmente diferentes para cada um deles. Em certas
ocasiões, as condições de vitória não são totalmente claras, mas descobri-las é
parte da diversão. A luta contra o Sr. Frio é uma das mais empolgantes já
criadas dentro de um título de ação.
Infelizmente, a câmera não é perfeita. Dependendo do cenário
em que estiver e do número de inimigos na tela, a mesma poderá se posicionar em
um ângulo que dificulta um bocado seu combate e reajustá-la constantemente
torna-se quase uma necessidade. Tal problema não chega a ajeijar o jogo, mas
sem dúvida interfere na fluidez de certos embates.
Logicamente, partir para um confronto direto não é a única
forma de resolver seus problemas. Batman: Arkham Asylum trouxe uma das melhores
jogabilidades estilo “Stealth” já criadas, e a continuação apenas melhora o que
já era excelente.
Todas as táticas de aproximar-se sorrateiramente por trás
dos inimigos, assim como dependurar-se em gárgulas e surpreendê-los com um
ataque vindo de cima, ainda estão presentes, mas com melhorias bastante
notáveis. Sempre que inimigos armados o avistarem, é possível utilizar uma
bomba de fumaça para escapar mais facilmente, assim como outros equipamentos o
tornam imune a tecnologia mais avcançada que alguns soldados utilizam nas horas
finais da aventura.
Por falar em equipamentos, há uma lista imensa dos mesmos
pronta para ser comprada dentro de um do jogo. Sempre que ganhar Level, você poderá
adquirir um dos acessórios disponíveis para o Cavaleiro das Trevas, desde
melhorias para o Bat Traje e novas técnicas de combate, até novas tralhas para
auxiliá-lo em sua missão. Para isso, é necessário acumular experiência
completando as missões principais, realizando as Side Quests, ou simplesmente
espancando meliantes pelas ruas da cidade.
A evolução do personagem se dá de forma bastante natural e
na maior parte do tempo, você estará preparado para as durezas que Arkham City
joga em seu caminho. Talvez seja necessário completar a história duas vezes
(falo mais disso daqui a pouco) para se ter acesso a tudo que está disponível,
mas não é preciso fazer “grinding” em momento algum.
Agora, falemos um pouco da Mulher Gato.
Como eu disse antes, se comprar Batman: Arkham City novo, você receberá um código que deve ser usado na rede de seu console (Xbox Live ou PSN). Ele lhe permitirá baixar gratuitamente a personagem, assim, sua aventura se entrelaçará com a de Batman e será possível controlá-la em breves intervalos da campanha principal.
Se alugou o game, emprestou de seu amigo ou comprou usado,
terá de pagar pelo privilégio de usá-la. Se não quiser se submeter a isso,
então jogará apenas a campanha do Cavaleiro das Trevas, sem interrupções. A
jornada de Selina Kyle não chega a ser vital para o entendimento ou
desenvolvimento do enredo, mas é um acréscimo bastante divertido.
A Mulher Gato funciona como uma personagem totalmente
diferente de Batman, com acessórios e habilidades únicas. Ela não pode planar
pela cidade, mas pode escalar certas superfícies e caminhar pelo teto em
ambientes fechados, o que acrescenta uma bem vinda variação à jogabilidade.
Ela também possui seus próprios Troféus do Charada para
coletar (40 ao todo) e sua campanha fica permanente aberta no menu principal
depois que a completamos. Uma chance para aqueles que não fizeram tudo que
podiam com ela, de corrigirem seu erro.
Para aqueles que optarem por jogar nos niveis Normal ou
Hard, Batman: Arkham City ainda libera o New Game +, onde é possível recomeçar
o jogo com todas as habilidades compradas anteriormente. Para aqueles que
curtem ser Overpower, esta opção fez falta em Batman: Arkham Asylum.
Finalmente, os Challenges estão de volta, com salas de
combate e onde é preciso eliminar os inimigos em um ambiente de forma
sorrateira. Além de Batman, é possível enfrentar estes desafios com a Mulher
Gato (se a baixou, claro), Robin (brinde da edição especial, que também estará
para download no fim de Novembro) ou Asa Noturna (que pode ser baixado já).
Cada personagem funciona de forma única e dominar a todos o manterá ocupado por
semanas.
Os produtores de Batman: Arkham City pegaram tudo que
funcionou no primeiro game e melhoraram, bem como corrigiram as pequenas falhas
que podiam ser encontradas nele. O resultado final é um dos mais
impressionantes títulos estrelados por um super herói e um verdadeiro exemplo
de aprimoramento para todos que trabalham no ramo.
Esta é uma das melhores opções disponíveis no
mercado atualmente e que deveria ser comprada por todos que tem um mínimo
interesse em games de ação.
A menos que você não seja um fã do Batman. Neste caso, deveria ser
internado, assado e comido por sua blasfêmia. Verme biltre e abilolado!




