Acho que meu gosto por jogos clássicos é bastante notável.
Já escrevi toneladas de artigos sobre títulos de 8 e 16 bits e diabos, pretendo
escrever muitos mais ainda.
Mas infelizmente, existem títulos que não resistem ao teste
do tempo. Aquilo que era bom há 10 ou 20 anos atrás, as vezes envelhece muito
mal, sem contar as idéias fantásticas que nasceram em uma época onde a
tecnologia simplesmente não era avançada o suficiente para lhes dar a vida que
mereciam.
Desta forma, acredito que diferente do cinema, os games são
um meio que se beneficia um bocado dos Remakes. Nada como ver um game querido e
antigo, cujas falhas tornaram-se mais notáveis que as qualidades, ser recriado
com recursos atuais e atingir a grandeza que lhe era de direito.
É o caso de Final Fantasy. Um bom game para sua época, mas
quase injogável para os padrões atuais.
Felizmente, ele foi recriado inúmeras vezes para diversas
plataformas. E hoje falarei um pouco da versão que é a minha favorita.
Em Final Fantasy, conhecemos um mundo que é regido por
quatro cristais mágicos, que possuem, cada um, o poder de um dos elementos.
Com o passar dos séculos, os cristais perderam seus poderes
e tornaram-se meras pedras incolores, sem energia e sem vida. Os ventos
tornaram-se perigosos, o mar ficou agressivo, a terra ruiu e o fogo perdeu seu
brilho. O mundo estaria em sérios apuros se algo não fosse feito logo.
Eis que surgem quatro destemidos heróis, cada um carregando
consigo um dos cristais. Eles são os lendários “Warriors of Light” e tem como
missão restaurar estes artefatos a sua antiga glória.
Assim eles avançam em sua missão. Viajam pelo mundo,
resolvem problemas em seu caminho, ajudam pessoas e cidades e aos poucos
encontram os quatro templos elementais para recuperar a energia dos cristais e
trazer de volta o equilíbrio ao mundo.
A história é extremamente simples, sem reviravoltas
dramáticas ou narrativas complexas. Os quatro protagonistas sequer possuem
histórias pessoais, o jogador os cria eles nunca deixam de ser arquetipos
jogáveis.
Por um lado, esta narrativa de conto de fadas pode afastar
quem gosta de roteiros complicados com personagens cheios de traumas e
inseguranças, mas eu acredito que algo assim é uma lufada de ar fresco no
mercado atual de JRPG’s, tão preocupado em entupir seus jogos de conteúdo
técnico e desenvolvimento de personagens demasiadamente complicado, que sua
essência praticamente se perde.
E existe algo de muito charmoso na simplicidade vigente de
Final Fantasy. Mais jogos da atualidade deveriam tentar ser como ele.
Eu sempre acreditei que o PSP é um monstro na hora de
reproduzir jogos em 2D. Claro, o console pode fazer visuais em 3D muito bons,
mas acredito que é com Pixels que ele excede qualquer expectativa e não consigo
entender por que mais produtoras não optaram por seguir esse caminho.
Isso tudo é pra dizer que Final Fantasy Anniversary Edition
possui um visual belíssimo, que se assemelha muito a gráficos da geração 16
bits, mas com um nível espetacular de detalhes e em alta definição.
A identidade visual permanece a mesma de mais de vinte anos
atrás. Todas as cidades, masmorras e inimigos permanecem nos mesmos lugares,
mas muito mais bonitos e vistosos. Mais ainda, os membros de seu grupo são mais
uma vez bonequinhos em SD inacreditavelmente fofos e adoráveis, algo que foi
tradição na série até Final Fantasy VI.
E os programadores optaram por não consertar o que não
estava quebrado. Nos combates os únicos que possuem animação são os heróis, os
chefes permanecem belíssimas imagens estáticas, como também era tradição nos
jogos da série até a geração 16 bits.
Algo que foi bastante melhorado no entanto, são os efeitos
especiais das magias, que tornaram-se bastante bonitas e impressionantes. Holy
e Flare nada devem em visual aos poderes vistos em outros títulos da franquia.
A trilha sonora dispensa apresentações. A composição de
Nobuo Uematsu é sempre espetacular (e em alguns casos, uma das poucas coisas
que se salvam em um jogo) e aqui, ela é representada com perfeição. Final
Fantasy Anniversary Edition é um daqueles títulos que pedem por um par de fones
de ouvidos, unicamente pela qualidade de sua trilha sonora.
Os efeitos dos ataques normais são simples,
possivelmente para evocar uma certa nostalgia pela época do lançamento original
de Final Fantasy. Não existe nenhum tipo de dublagem ou narração, mas
sinceramente, elas nunca foram necessárias aqui e isso é algo que não mudou.
Como Final Fantasy não possui heróis ou personagens
pré-determinados, cabe ao jogador criar seu próprio grupo. Para isso, ele tem
de escolher sabiamente entre seis classes de personagens.
O “Warrior” é 50% do poder ofensivo do grupo, ele pode
equipar inúmeros tipos de armas e armaduras e normalmente é quem dura mais nas
batalhas. Sem um desses, seu grupo não vai aguentar muito.
“White Mages” e “Black Mages” cuidam das magias,
respectivamente de cura e ataque. Ambas as classes são fracas fisicamente, mas
podem dão apoio muito bom no começo do jogo e se evoluidos corretamente,
tornam-se verdadeiras máquinas de matar próximo ao fim.
Os “Red Mages” podem usar parte das magias Brancas e Negras
e ataca... quase como um Warrior. Verdade seja dita, ele parece muito útil mas
é tão eficiente trazer uma pedra para uma briga de arsenais nucleares.
Finalmente, temos o “Thief” e o “Monk”, que são praticamente
variações do Warrior, só que de baixa manutenção. O Thief pode usar
equipamentos leves e é ágil, mas possui poder de ataque baixo, já o Monk quase
não tem equipamentos a sua disposição, mas pode causar um dano devastador
quando desarmados.
Verdade seja dita, equilíbrio não é um dos pontos fortes
deste jogo. Um grupo eficiente inclui um Warrior, uma White Mage e um Black
Mage, qualquer formação que não inclua estes três quebrará suas pernas
monumentalmente.
Da mesma forma, um jogador dedicado, que passe horas
ganhando experiência com seu grupo, maximizará seu poder ofensivo muito rapidamente
e o jogo inteiro vai virar mel na chupeta. Final Fantasy Anniversary Edition
oscila entre desafio equilibrado e moleza absoluta, dependendo unicamente de
quanto você gosta de fazer Grinding.
A progressão na aventura é bastante simples. Basicamente
você irá até uma cidade, conversará com as pessoas de lá e receberá a missão de
resolver os problemas do lugar, que podem ser coisas como resgatar uma princesa
ou espantar os piratas que decidiram fazer das instalações locais sua moradia.
Ao cumprir sua tarefa, você será imediatamente recompensado
com algo que permitirá o prosseguimento da aventura, seja um barco, canoa,
ponte ou qualquer outra coisa do tipo. Eventualmente, você chegará aos templos
elementais e terá de derrotar um chefe a fim de restaurar o poder dos Cristais,
e assim sucessivamente.
É um estilo extremamente simples e linear de progressão, mas
é perfeito para um título de 1987. O avanço é muito instintivo e dificilmente
você irá se perder ou não saberá para qual lugar deve ir em seguida.
As batalhas funcionam ao estilo clássico da série. Os
inimigos surgem em momentos aleatórios enquanto sua equipe caminhar pelo mapa
mundial ou por masmorras, o combate se dá pela escolha de opções em um menu,
que também é extremamente fácil de entender e dominar.
Equipamentos podem ser comprados em cidades, e o mesmo
acontece com magias. Os feiticeiros de seu grupo tem um espaço limitado para
aprenderem novos ataques, então é preciso escolher sabiamente o que adquirir ao
chegar em uma nova cidade. O nivel de customização nunca vai além disso diga-se
de passagem, mas é bastante apropriado.
Mesmo para os padrões atuais, Final Fantasy permanece um jogo bastante grande. Existem muitos lugares a serem explorados e segredos para se descobrir, as melhores armas e equipamentos estão ocultos em partes perdidas do mapa e Bahamut está em uma caverna, esperando para promover sua equipe e torná-la ainda mais poderosa. Final Fantasy é um título que recompensa bastante aos jogadores que gostam de desviar do caminho principal.
Aliás, existem Dungeons exclusivas nesta versão, com chefes extras e inimigos mais fortes que o normal, desafio perfeito para aquele ponto da partida em que você já fez tudo que o jogo principal tinha a oferecer.
E para o gamer com pouco tempo, existe a possibilidade de salvar a partida para recomeçá-la quando bem entender. Uma funcionalidade básica, mas que nunca se tornou o padrão nos JRPG's. Uma pena.
Mesmo para os padrões atuais, Final Fantasy permanece um jogo bastante grande. Existem muitos lugares a serem explorados e segredos para se descobrir, as melhores armas e equipamentos estão ocultos em partes perdidas do mapa e Bahamut está em uma caverna, esperando para promover sua equipe e torná-la ainda mais poderosa. Final Fantasy é um título que recompensa bastante aos jogadores que gostam de desviar do caminho principal.
Aliás, existem Dungeons exclusivas nesta versão, com chefes extras e inimigos mais fortes que o normal, desafio perfeito para aquele ponto da partida em que você já fez tudo que o jogo principal tinha a oferecer.
E para o gamer com pouco tempo, existe a possibilidade de salvar a partida para recomeçá-la quando bem entender. Uma funcionalidade básica, mas que nunca se tornou o padrão nos JRPG's. Uma pena.
Parece meio difícil de acreditar, mas houve uma época em que não existiam Cloud, Squall, Vahn ou Lightning e Final Fantasy era um título simples, que trazia jogabilidade e diversão ao invés de desperdiçar gráficos estupendos em mundos imensos que apesar de densamente povoados, conseguem ser incrivelmente vazios.
É um tempo que nunca mais voltará, mas sempre podemos revisitá-lo. Final Fantasy Anniversary Edition é a forma perfeita de fazê-lo.
E seja honesto, você vai nomear o Warrior de seu grupo de “Cloud”, não?
É, todo mundo faz isso.




